segunda-feira, 28 de novembro de 2022

ADVENTO: MISTAGOGIA, ESPERANÇA, ESPIRITUALIDADE E CAMINHO DE HUMANIZAÇÃO


ADVENTO: MISTAGOGIA, ESPERANÇA, ESPIRITUALIDADE E CAMINHO DE HUMANIZAÇÃO

Caro leitor, iniciamos um novo ano litúrgico, celebrando o tempo do advento. Esse tempo tem duas finalidades na liturgia e espiritualidade eclesial. A primeira é preparar a comunidade cristã para a celebração do nascimento de Jesus, o mistério da encarnação: Deus que, para salvar a humanidade, se faz um de nós, assumido nossa história, reconciliando consigo o ser humano e toda a criação. A segunda finalidade do tempo do advento é recordar que nós, existencialmente, estamos vivendo um advento, pois aguardamos a segunda vinda de Jesus, o encontro definitivo com Deus. As duas primeiras semanas do tempo do advento nos recordam a expectativa escatológica do encontro definitivo com Deus, ao passo que, as duas últimas semanas nos preparam diretamente para a celebração do Natal.

A virtude teológica fundamental deste tempo litúrgico é a esperança. O fiel que participar das missas neste tempo do advento, perceberá que a maior parte das leituras do antigo testamento serão do profeta Isaías, o profeta que mais anunciou a chegada do Messias e que mais profetizou a esperança para o povo de Israel exilado. Em nossa vida espiritual, deveremos nesse tempo do advento, cultivar a esperança de que dias melhores virão e que tudo aquilo que fere a dignidade do ser humano, haverá de, um dia, desaparecer de nossa história, experimentaremos a salvação plena. Devemos cultivar, também, a esperança de viver eternamente com Deus.

A espiritualidade fundamental desse tempo litúrgico é a consciência de que a cada dia se aproxima a salvação definitiva. Os primeiros cristãos imaginavam, de forma iminente, a vinda gloriosa de Jesus. Com o passar do tempo, essa expectativa diminuiu e a Igreja passou a ensinar que, no momento de nossa morte, já se dá o nosso encontro definitivo com Cristo e que um dia, não se sabe quando, Ele voltará para salvar e redimir toda a história. Por isso, o fiel católico deve tomar consciência de que a qualquer momento pode ser o seu encontro definitivo com Deus, não desperdiçando a sua vida com o pecado ou coisas que não lhe fazem crescer em sua vida espiritual, mas viver como se cada momento fosse o derradeiro para o encontro com o Absoluto.

Penso que o tempo do advento também nos traz uma consciência antropológica muito bela, ou seja, uma visão bonita e positiva do que é o ser humano. Deus poderia ter arrumado outro caminho para poder nos salvar. Mas, o caminho escolhido por Ele foi o da humanização: o Divino se tornou humano para que o humano se tornasse Divino. Ainda hoje, existem certas espiritualidades que desvalorizam tudo aquilo que é próprio do ser humano, como se o ser humano tivesse que se tornar um anjo para poder comungar da vida de Deus. O mistério da encarnação, contudo, nos aponta a direção contrária: o ser humano experimenta a salvação na medida em que ele se humaniza. O modelo de todo ser humano é a pessoa de Jesus Cristo, Deus feito pessoa humana. Por isso devemos valorizar tudo aquilo que é próprio do ser humano, assemelhado a Cristo, como caminho de comunhão com o divino.

Deus abençoe o nosso advento e nos conceda a graça de abrir o nosso coração para acolher a Luz do Alto, Jesus Cristo nosso Salvador.

Pe. Fr. Inácio José, Mestre em Teologia Bíblica 


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