terça-feira, 29 de novembro de 2022
segunda-feira, 28 de novembro de 2022
ADVENTO: MISTAGOGIA, ESPERANÇA, ESPIRITUALIDADE E CAMINHO DE HUMANIZAÇÃO
ADVENTO:
MISTAGOGIA, ESPERANÇA, ESPIRITUALIDADE E CAMINHO DE HUMANIZAÇÃO
Caro
leitor, iniciamos um novo ano litúrgico, celebrando o tempo do advento. Esse
tempo tem duas finalidades na liturgia e espiritualidade eclesial. A primeira é
preparar a comunidade cristã para a celebração do nascimento de Jesus, o
mistério da encarnação: Deus que, para salvar a humanidade, se faz um de nós, assumido
nossa história, reconciliando consigo o ser humano e toda a criação. A segunda
finalidade do tempo do advento é recordar que nós, existencialmente, estamos
vivendo um advento, pois aguardamos a segunda vinda de Jesus, o encontro
definitivo com Deus. As duas primeiras semanas do tempo do advento nos recordam
a expectativa escatológica do encontro definitivo com Deus, ao passo que, as duas
últimas semanas nos preparam diretamente para a celebração do Natal.
A
virtude teológica fundamental deste tempo litúrgico é a esperança. O fiel que
participar das missas neste tempo do advento, perceberá que a maior parte das
leituras do antigo testamento serão do profeta Isaías, o profeta que mais
anunciou a chegada do Messias e que mais profetizou a esperança para o povo de
Israel exilado. Em nossa vida espiritual, deveremos nesse tempo do advento, cultivar
a esperança de que dias melhores virão e que tudo aquilo que fere a dignidade
do ser humano, haverá de, um dia, desaparecer de nossa história, experimentaremos
a salvação plena. Devemos cultivar, também, a esperança de viver eternamente
com Deus.
A
espiritualidade fundamental desse tempo litúrgico é a consciência de que a cada
dia se aproxima a salvação definitiva. Os primeiros cristãos imaginavam, de
forma iminente, a vinda gloriosa de Jesus. Com o passar do tempo, essa
expectativa diminuiu e a Igreja passou a ensinar que, no momento de nossa morte,
já se dá o nosso encontro definitivo com Cristo e que um dia, não se sabe
quando, Ele voltará para salvar e redimir toda a história. Por isso, o fiel
católico deve tomar consciência de que a qualquer momento pode ser o seu
encontro definitivo com Deus, não desperdiçando a sua vida com o pecado ou
coisas que não lhe fazem crescer em sua vida espiritual, mas viver como se cada
momento fosse o derradeiro para o encontro com o Absoluto.
Penso
que o tempo do advento também nos traz uma consciência antropológica muito bela,
ou seja, uma visão bonita e positiva do que é o ser humano. Deus poderia ter
arrumado outro caminho para poder nos salvar. Mas, o caminho escolhido por Ele
foi o da humanização: o Divino se tornou humano para que o humano se tornasse
Divino. Ainda hoje, existem certas espiritualidades que desvalorizam tudo
aquilo que é próprio do ser humano, como se o ser humano tivesse que se tornar
um anjo para poder comungar da vida de Deus. O mistério da encarnação, contudo,
nos aponta a direção contrária: o ser humano experimenta a salvação na medida
em que ele se humaniza. O modelo de todo ser humano é a pessoa de Jesus Cristo,
Deus feito pessoa humana. Por isso devemos valorizar tudo aquilo que é próprio
do ser humano, assemelhado a Cristo, como caminho de comunhão com o divino.
Deus
abençoe o nosso advento e nos conceda a graça de abrir o nosso coração para acolher
a Luz do Alto, Jesus Cristo nosso Salvador.
Pe.
Fr. Inácio José, Mestre em Teologia Bíblica
sábado, 26 de novembro de 2022
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