terça-feira, 27 de maio de 2025

ESPÍRITO SANTO: PRESENÇA DE CRISTO EM NÓS

 ESPÍRITO SANTO: PRESENÇA DE CRISTO EM NÓS

 

A Solenidade de Pentecostes está se aproximando, marcando o fim do tempo Pascal. Este período litúrgico teve como finalidade ensinar-nos a reconhecer a presença de Jesus ressuscitado em nossa vida cotidiana, o mesmo desafio que os primeiros discípulos enfrentaram com relação à nova presença de Cristo em suas vidas. Esse desafio também se aplica aos cristãos atuais. Muitas vezes não prestamos atenção à presença de Jesus em nossa existência, permitindo-nos ser guiados por valores mundanos que frequentemente contradizem os ensinamentos do evangelho que professamos.

O Novo Testamento apresenta duas teologias distintas sobre a vinda do Espírito Santo, embora ambas coincidam com a ideia de que, com a vinda do Espírito, nasce a Igreja, com a missão de testemunhar Jesus.

Para a teologia joanina, Cristo ressuscitado derramou o Espírito Santo no dia da ressurreição, simbolizando uma nova criação com seu sopro. A igreja se torna semente de uma nova humanidade, enviada por Cristo para reconciliar e levar a paz a todos (Jo 20,19-23; Gn 2,7).

Já a teologia lucana indica que o Espírito Santo foi dado no Pentecostes, 50 dias após a Páscoa, durante a festividade judaica que celebrava o início das colheitas e o recebimento das tábuas da lei por Moisés (At 2, 1-4). Lucas vê o Espírito Santo como aquele que marca o coração dos fiéis para a “colheita”, escrevendo a lei de Deus neles, tornando-os testemunhas de Cristo ressuscitado no mundo.

A que “colheita” Lucas se refere? Ele se refere à colheita celestial. Cristo foi o primeiro a ser colhido (1Cor 15,20-23). Os primeiros que se converteram são chamados de primícias (Tg 1,18; 1Cor 16,15; Rm 16,5). O Espírito Santo foi concedido como primícia da Redenção e provocará nossa ressurreição, no fim dos tempos (Rm 8,23). Aqueles que já estão no céu são referidos como primícias no Apocalipse (Ap 14,4).

Lucas pode estar pensando na profecia de Ez 36,26-27, onde Deus prometeu substituir os corações de pedra por corações de carne e inscrever suas leis nos corações de seu povo. Assim, eles observariam a vontade de Deus com alegria. Se antes a aliança estava escrita em tábuas de pedra, agora está inscrita nos corações humanos, com o Espírito (2Cor 3,3).

No início deste artigo, abordamos o desafio dos primeiros cristãos em compreender a nova presença de Cristo entre eles após a ressurreição. Historicamente, Cristo estava ao lado deles; agora, ressuscitado, Cristo está dentro deles. O novo testamento, em várias passagens, ensina que o Espírito Santo habita no coração do cristão (1Cor 3,16; 1Cor 6,19; Jo 14,17; 2Tim 1,14; 1Jo 4,13). Em certas ocasiões, o Espírito de Deus é também chamado de Espírito de Cristo (Rm 8,9; Rm 8,11; Fil 1,19; Gl 4,6). Por isso, durante sua existência cristã, o fiel deverá constantemente perguntar-se, com sinceridade e fé: "O que Cristo faria se estivesse aqui, no meu lugar?" E o Espírito Santo, que habita seu coração desde o batismo, haverá de mostrar-lhe qual é a conduta cristã correta (Jo 14,26). Sendo fiel às inspirações divinas, realizará a vontade do Pai, pois esta lei está escrita em seu interior. Assim, encaminhar-se-á para a colheita definitiva no céu.

Deus te abençoe e deixe-se iluminar pelo Espírito Santo que lhe habita.

Pe. Fr. Inácio José, teólogo e biblista.

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