quarta-feira, 29 de março de 2017

mistagogia do tempo pascal

Mistagogia do tempo pascal
O tempo pascal inicia-se com o domingo de páscoa e vai até o domingo de pentecostes. Compreende 50 dias de aprofundamento do mistério da ressurreição de Jesus, bem como de como deve ser a nossa vida enquanto “ressuscitados com Cristo” pelo batismo. Mistagogia significa “iniciação aos mistérios”, no caso do tempo pascal, como somos iniciados no mistério da ressurreição de Cristo; como experimentamos o Ressuscitado hoje. Da mesma forma como na quaresma, cada domingo nos apresenta um passo a ser vivido nessa dinâmica de aprendermos a “enxergar” o Cristo Ressuscitado hoje e, mais que isso, como viver como ressuscitados hoje.
1º domingo de páscoa. Ressurreição de Jesus. Jo 20,1-9. Somente a fé nos proporciona a condição para experimentar Jesus Ressuscitado em nossa vida. Somente a fé nos proporciona a vida nova de amizade com Deus que Jesus nos prometeu. É preciso crer para ver Jesus vivo em nossa história.
2º domingo de páscoa. Jo 20,19-31. A fé perfeita e madura não necessita de sinais. Apenas crê no testemunho que a comunidade dá do Ressuscitado. O Ressuscitado não se experimenta na solidão, mas sobretudo na vida comunitária. A comunidade é sacramento do Ressuscitado.
3º domingo de páscoa. Lc 24,13-35. Através da meditação da Palavra de Deus e através da Eucaristia experimentamos a Jesus Ressuscitado que não é “visível”, mas que verdadeiramente permanece conosco. A Jesus Ressuscitado se experimenta através dos sacramentos.
4º domingo de páscoa. Jo 10,1-10. Jesus é a porta através da qual entramos na vida de amizade com Deus (vida eterna), desde já nessa vida e depois da morte, por toda a eternidade.
5º domingo de páscoa. Jo 14,1-12. Jesus é o caminho que nos conduz ao Pai. Jesus ao voltar para o Pai nos promete preparar “um lugar” na eternidade junto do Pai. Após a morte, o que nos aguarda é a eternidade e não a morte eterna.
6º domingo de páscoa. Jo 14,15-21. Jesus promete a vinda do Espírito Santo que nada mais do que a presença de Jesus Ressuscitado em meio à comunidade e no coração dos discípulos. Através do Espírito Santo Jesus permanece junto à sua comunidade.
7º domingo de páscoa. Ascensão de Jesus. Mt 28,16-20. Jesus “volta para o céu” e envia os discípulos em missão. Ao voltar para a eternidade Jesus levou consigo nossa humanidade.
8º domingo de pascoa. Pentecostes. Jo 20,19-23. No dia da Ressurreição Jesus sopra o Espírito Santo sobre a comunidade reunida fazendo com que essa comunidade seja sinal de vida e de perdão.
Recordamos no tempo pascal a nossa vocação batismal. Fomos batizados na morte e ressurreição de Jesus de tal forma que morremos para vida de pecado e ressuscitamos para a vida nova, vida da graça, vida de amizade com Deus e de fraternidade com as pessoas. Se a quaresma era tempo penitencial que nos recorda nosssa condição de pecadores, o tempo pascal é tempo de festa que nos recorda que Deus, gratuitamente em Jesus nos reconciliou consigo e nos salvou, nos adotando como filhos pelo batismo, plantando em nossos corações a vida eterna. Que a celebração do tempo pascal nos recorde tão grande amor que Deus nos tem e nos comprometa a ser sinais de ressurreição e de vida onde houver morte em nossa sociedade.

Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

quinta-feira, 9 de março de 2017

tempo comum 2

21º domingo comum, ANO A – A FÉ EM CRISTO: PEDRA FUNDAMENTAL DA IGREJA
1ª leitura. (Is 22,19-23). O profeta anuncia a destituição de Sobna e a ascensão de Eliacim, o qual teria o poder de abrir e fechar a Casa de Davi.
Salmo. 137(138). O salmista canta ao Deus altíssimo que contempla com amor o pobres.
2ª leitura. (Rm 11,33-36). Paulo medita na profundidade da sabedoria divina, cuja nenhuma pessoa pode imaginar ou alcançar.
Evangelho. (Mt 16,13-20). Jesus pergunta aos discípulos sobre sua identidade, o que pensam o povo e o que pensam eles. Ao que Pedro professa a fé de Jesus é o messias, recebe as “chaves da comunidade”.
Trazendo os textos pra perto da gente. A Igreja é a comunidade que crê em Jesus como Messias, Cristo. A profissão de fé petrina é a pedra na qual está alicerçada a Igreja (evangelho). Hoje precisamos rever as motivações pelas quais somos católicos: muitos o são por tradição, sem consciência do que é ser igreja. Outros o são por convicção: conheceram a Jesus, optaram por segui-lo em comunidade.
Para pensar. Somos católicos por tradição ou por convicção?
Gesto concreto. Estudar o catecismo da Igreja Católica.
Espiritualidade. Cultivar o desejo de amar e conhecer mais a Jesus de Nazaré.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – VIVEREMOS UM DIA NO CÉU
1ª leitura. (Ap 11,19a;12,1.3-6a.10ab). João, o vidente, contempla no céu a visão da mulher grávida revestida de sol, perseguida pelo dragão, mas protegida por Deus.
Salmo. 44(45). O salmista canta a entrada da princesa no palácio real.
2ª leitura. (1Cor 15,20-27a). Paulo ensina que Cristo é primícia dos que morreram e ressuscitaram, e que depois ressuscitará a todos o que a Ele pertencem.
Evangelho. (Lc 1,39-56). Maria visita sua parenta Isabel e, cantando o magnificat, proclama a grandeza de Deus que intervem na história libertando os que sofrem, fazendo justiça.
Trazendo os textos pra perto da gente. Tudo o que a Igreja crê que Deus fará a si mesma, ela crê que Deus já realizou na pessoa de Maria. A assunção de Maria significa que Maria já participa plenamente do mistério pascal de seu Filho Jesus (1ª leitura). Vive eternamente junto de Deus. Cremos que um dia tal mistério, também será vivido por toda a Igreja de Cristo (2ª leitura). Do mesmo modo como Maria foi acolhida na eternidade, no palácio do Rei Eterno (salmo), todos nós, se vivermos nossos discipulado cristão, também o seremos. Maria é elevada ao céus porque em sua vida terrena seguiu a Jesus no serviço aos irmãos.
Para pensar. Cremos na vida eterna junto a Deus?
Gesto concreto. Rezar os mistérios gloriosos do rosário.
Espiritualidade. Cultivar a humildade de Maria.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

Solenidade de São Pedro e São Paulo – AS DUAS COLUNAS DA IGREJA
1ª leitura. (At 12,1-11). Deus, através de um anjo, liberta Pedro da prisão, persguido pelo rei Herodes.
Salmo. 33(34). O salmista louva a Deus, porque sempre o libertou de suas angústias.
2ª leitura. (2Tm 4,6-8.17- 18). O autor da carta, consciente da proximidade de seu martírio, afirma que combateu o bom combate e que dedicou toda a sua vida à causa do evangelho.
Evangelho. (Mt 16,13-19). Jesus pergunta aos discípulos sobre sua identidade, o que pensam o povo e o que pensam eles. Ao que Pedro professa a fé de Jesus é o messias, recebe as “chaves da comunidade”.
Trazendo os textos pra perto da gente. Celebrar Pedro e Paulo é celebrar as duas dimensões missionárias da Igreja: a evangelização dos judeus (Pedro) e a dos pagãos (Paulo). Pedro nos recorda que devemos cuidar dos que já fazem parte da comunidade, Paulo nos lembra que sempre devemos sair em missão, em busca dos que não creem em Cristo. Ambos nos lembram que professar a fé em Cristo pode nos gerar perseguição (1ª leitura, 2ª leitura), mas que confiando em Deus sempre seremos libertos (salmo).
Para pensar. Qual dimensão a comunidade precisa trabalhar mais: cuidar dos de dentro ou sair em missão?
Gesto concreto. Visitar uma pessoa que há muito não frequenta a comunidade.
Espiritualidade. Confiar em Deus que sempre nos protege nos perigos.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

Festa da Transfiguração do Senhor – POR TRÁS DE NOSSA HUMANIDADE SE ESCONDE A CONDIÇÃO DE FILHO DE DEUS
1ª leitura. (Dn 7,9-10.13- 14). Daniel vê um ser humano recebendo, das mãos de Deus, o poder de governar todo o mundo, num reinado que não terá mais fim.
Salmo. 96(97). O salmista proclama a realeza divina
2ª leitura. (2Pd 1,16-19). O autor da testemunho de que Deus deseja que ouçamos seu Filho Jesus, no qual resplandece a glória de sua divindade.
Evangelho. (Mt 17,1-9). Jesus é transfigurado diante de Pedro, Tiago e João; ao seu lado aparecem Moisés e Elias e a voz do Pai lhe confirma como Filho amado ao qual devemos sempre escutar.
Trazendo os textos pra perto da gente. A cena da transfiguração é um relato pós-pascal que mostra como a comunidade passou a entender a pessoa de Jesus. Meditando o Antigo Testamento, simbolizados por Moisés e Elias (Lei e Profetas), a Igreja (Pedro, Tiago e João), compreende que Jesus é o Filho de Deus ao qual devem escutar (2ª leitura). Jesus agora é quem revela o Pai. Por trás da humanidade de Jesus se esconde a sua divindade (evangelho). Ele é o humano/divino que recebe de Deus o seu Reino (1ª leitura).
Para pensar. Reconheço-me como filho amado de Deus?
Gesto concreto. Procurar aprofundar o sentido de nosso batismo cristão.
Espiritualidade. Cultivar uma relação filial com Deus.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário


tempo comum

14o domingo comum, ANO A – A SABEDORIA DOS HUMILDES
1ª leitura. (Zc 9,9-10). O profeta Zacarias anuncia a chegada do messias de forma humilde e simples, destruindo a guerra, construindo a paz.
Salmo. 144. O salmista exalta a Deus, proclamando-o rei de Israel, louvando a sua misericórdia que dura para sempre.
2ª leitura. (Rm 8,9.11-13). Paulo ensina que devemos matar o procedimento carnal em nós e viver segundo o Espírito.
Evangelho. (Mt 11,25-30). Jesus louva ao Pai que revelou sua sabedoria aos pequenos e convida aos fatigados a tomarem o seu jugo suave.
Trazendo os textos pra perto da gente. Deus revela sua sabedoria não aos entendidos desse mundo, mas aos pobres e humildes que procuram viver sua vontade (evangelho). Deus não se manifesta no mundo de forma poderosa, mas de forma simples, construindo a paz (1ª leitura). O Reino de Deus se manifesta através da ternura e da misericórdia presentes na história (salmo). Deus reina em nossa vida pessoal quando mortificamos nossa condição de pecadores e procuramos viver segundo os valores do evangelho (2ª leitura).
Para pensar. Valorizamos as pessoas mais simples ou as desprezamos?
Gesto concreto. Tratar com carinho as pessoas mais simples e humildes da comunidade.
Espiritualidade. Reconhecer nos simples a presença da sabedoria divina.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

15o domingo comum, ANO A – A PALAVRA SEMEADA EM NOSSA VIDA
1ª leitura. (Is 55,10-11). O profeta Isaías anuncia que a Palavra de Deus não vem a nós sem produzir o efeito necessário.
Salmo. 64. O salmista considera as chuvas e as colheitas como bençãos e providências divinas para o seu povo.
2ª leitura. (Rm 8,18-23). Paulo ensina que a criação espera ansiosamente a manifestação gloriosa dos filhos de Deus, para que ela também seja libertada.
Evangelho. (Mt 13,1-23). Jesus conta a parábola do semeador, cujas sementes caem em diversos tipos de terrenos e cada qual dá ou não frutos.
Trazendo os textos pra perto da gente. Jesus comparou a Palavra à semente, que possui força própria (1ª leitura), mas que dará frutos dependendo da disponibilidade de nosso coração (evangelho). Um coração que não esteja dócil a acolher a palavra, não dará frutos, portanto, não haverá uma colheita de virtudes em sua vida (salmo). Na medida em que somos santos, vivendo nossa condição de filhos de Deus, toda a criação participa também de nossa santidade.
Para pensar. Que tipo de terreno é meu coração em relação à Palavra de Deus que sempre me é semeada?
Gesto concreto. Aprender a fazer a leitura orante da Palavra de Deus.
Espiritualidade. Cultivar cada mais vez mais amor e respeito pela Palavra de Deus.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

16o domingo comum, ANO A – DEUS USA DE PACIÊNCIA E MISERICÓRDIA PARA CONOSCO.
1ª leitura. (Sb 12,13.16-19). O autor medita sobre como Deus usa seu poder com misericórdia para acompanhar o ser humano e corrigir o pecador.
Salmo. 85(86). O salmista louva a misericórdia e o perdão divinos.
2ª leitura. (Rm 8,26-27). Paulo nos ensina que o Espírito Santo vem em socorro de nossa fraqueza, nos ensinando a rezar como convém.
Evangelho. (Mt 13,24-30). Jesus conta a parábola do joio e do trigo. No tempo certo haverá a colheita e ambos são separados.
Trazendo os textos pra perto da gente. Somente no fim dos tempos, o bel e o mal serão separados definitivamente. Até lá, justos e injustos deverão conviver na história (evangelho). Devemos aprender com Deus a usar de paciência e compaixão para com aqueles que consideramos pecadores (1ª leitura), porque Ele sempre usa de misericórdia e compaixão para conosco (salmo). Deus mesmo vem em nosso auxílio, nos ajudando a rezar como convém (2ª leitura).
Para pensar. Como lidamos com os pecadores na comunidade? Os cortamos ou convivemos com eles?
Gesto concreto. Rezar pela conversão dos pecadores.
Espiritualidade. Sofrer com paciência os defeitos do próximo.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

17o domingo comum, ANO A – TUDO OU NADA PELO REINO
1ª leitura. (1Rs 3,5.7-12). Salomão reza a Deus pedindo o dom da sabedoria para governar o seu povo, ao que Deus lhe concede.
Salmo. 118(119). O salmista medita com carinho a Lei de Deus e encontra nela a sua alegria.
2ª leitura. (Rm 8,28-30). Paulo ensina que somos predestinados a sermos santos conforme Jesus e, que tudo concorre para o bem dos que amam a Deus.
Evangelho. (Mt 13,44-52). Jesus compara o Reino a um tesouro encontrado, a uma pérola de grande valor, que se precisa vender tudo para adquirir. Compara o Reino também a uma pesca que pega varios tipos de peixes e só depois são separados.
Trazendo os textos pra perto da gente. O Reino de Deus deve ser a prioridade na vida do discípulo: para entrar em sua dinâmica ou damos tudo ou nada. É preciso discernir se o que vivemos é condizente com os valores do Reino ou não (evangelho). Para isso, é necessário termos sabedoria (1ª leitura) que nos vem pela meditação da Palavra de Deus (salmo). Assim compreendemos que, desde a eternidade, somos destinados a sermos filhos de Deus, à imagem de Jesus de Nazaré (2ª leitura).
Para pensar. Abraçamos com radicalidade o evangelho?
Gesto concreto. Rever as motivações de nossas ações, se são inspiradas ou não no evangelho.
Espiritualidade. Buscar a vontade de Deus sempre em primeiro lugar.
Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

19o domingo comum, ANO A – MANTER OS OLHOS FITOS EM JESUS
1ª leitura. (1Rs 19,9a.11-13a). O profeta Elias, no monte Horeb, faz a experiência divina através da quietude e do silêncio.
Salmo. 84(85). O salmista manifesta o seu desejo de ouvir a Palavra de Deus, anunciando que a paz de Deus haverá de se instaurar no mundo.
2ª leitura. (Rm 9,1-5). Paulo manifesta a sua tristeza pelo fato de seus irmãos judeus não acolherem a boa nova do evangelho.
Evangelho. (Mt 14,22-33). Jesus vem ao encontro dos discípulos caminhando sobre as águas, em meio ao mar revolto; Pedro também faz a experiência mas afunda pela sua incredulidade.
Trazendo os textos pra perto da gente. Diante das tribulações da vida, precisamos sempre manter os olhos fitos em Jesus, somente assim, teremos a força para vencê-las (evangelho). Experimentamos a Deus é no silêncio de nossa oração; através dela Deus nos fortalece (1ª leitura). Quando desejamos viver a vontade de Deus, sua paz se realiza em nosso meio (salmo).
Para pensar. Como nos comportamos diante das tribulações da vida?
Gesto concreto. Ajudar uma pessoa que esteja passando por dificuldades.
Espiritualidade. Cultivar a serenidade em meio às tribulações.

Deus nos abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

quinta-feira, 2 de março de 2017

leitura orante

Data: 02/03/17
Leitura Orante da Palavra – Citação: Lc 15,11-32
1° passo – Leitura
O que o texto diz? Jesus conta a parábola do Pai, que tem dois filhos, o mais novo lhe pede a herança, vai embora, gasta tudo, passa fome, lembra-se que os empregados do pai tem comida, volta pra casa, é acolhido novamente como filho. Nisso o filho mais velho, reage ao acolhimento do filho mais novo, alegando não ter ganho nada por ter servido tanto. Nisso o Pai afirma que tudo dele é de seu filho também e que era preciso se alegrar pela volta do filho mais novo.
2° passo - Meditação
O que o texto diz para mim? O versículo 32 me chama a atenção: “Mas, era preciso festejar e nos alegrar, porque esse seu irmão estava morto, e tornou a viver; estava perdido, e foi encontrado”. Ele me mostra o amor incondicional divino para com aquele que volta a Ele necessitado. Não é necessário estar arrependido para ser acolhido pelo Pai, basta estar necessitado, como filho que estava com fome, mas que em nenhum momento se arrependeu do que fez.
3° passo - Contemplação
O que a Palavra me leva a experimentar? A Palavra me leva a experimentar profundo consolo, porque me leva a renovar a minha fé no amor gratuito por nós. Deus está sempre de “braços abertos para nos acolher”.
4° passo - Oração
O que a Palavra me leva a falar com Deus? “Pai de amor e de bondade, muito obrigado pelo acolhimento gratuito que nos fazes. Somos filhos incondicionalmente amados por Ti, mas sobretudo, quando estamos mais fragilizados cuidas com mais carinho de nós. Obrigado Senhor! Amém!”
5° passo - Ação
O que a Palavra me leva a viver? A Palavra me leva a acolher com mais docilidade os que erram, reconhecendo que eles são meus irmãos, filhos do mesmo Pai do Céu.


RECUPERAR O TEMPO DA GRAÇA

RECUPERAR O TEMPO DA GRAÇA (KHARIS)
Queridos irmãos e irmãs. Deus nos ama gratuitamente e nos concede seus favores independente se merecemos ou não. A expressão bíblica que traduz essa realidade é palavra GRAÇA, em grego KHARIS. Na carta ao Gálatas, que Paulo escreveu por volta do ano 57 a 58 d.C, Paulo combate os judeus-cristãos radicais que queriam que os pagãos guardassem as leis judaicas para que se tornassem cristãos. Paulo ao tomar conhecimento de que alguns abraçaram o rigorismo judaico, escreveu a carta para ensinar que a salvação vem pela graça e fé em Jesus não pelas obras da lei judaica, conforme ele mesmo diz:
“Eu não anulo a graça (kharis) de Deus. Ora, se a justiça vem pela Lei, então Cristo morreu por nada”. Gl 2,21
Paulo censura os cristãos da Galácia que “tão depressa, abandonaram aquele que os havia chamado na graça de Cristo, passando a outro evangelho” Gl 1,6. Para Paulo tanto judeus, quanto pagãos são salvos pela fé em Jesus. As leis judaica obrigatórias ao povo judeu, não poderiam ser impostas ao povo pagão que quisesse abraçar a fé em Cristo. O apóstolo justifica sua posição dizendo que
4Vós, que procurais a vossa justificação na Lei, rompestes com Cristo: decaístes da graça (kharis). 5Quanto a nós, que nos deixamos conduzir pelo Espírito, é da fé que aguardamos a justificação, objeto de nossa esperança. 6Com efeito, em Jesus Cristo, o que vale é a fé agindo pelo amor; ser ou não circuncidado não tem importância alguma. (Gl 5,4-6)
Paulo elaborou essa reflexão porque experimentou na pele o chamado divino sem merecimento algum de sua parte (Gl 1,15)[1], pois, antes ele era perseguidor dos cristãos, mas, ao experimentar Jesus Ressuscitado, ele percebe que todo o rigorismo judaico que ele havia praticado outrora não lhe serviu para nada. As próprias colunas da Igreja reconheceram depois o chamado de Paulo para pregar o evangelho aos pagãos (Gl 2,9)[2].


Esse ensino paulino acerca da graça é precioso para nós. Vivemos em tempos relativistas onde as estruturas que nos davam segurança (família, política, religião etc.) não nos proporcionam mais. Daí que todo grupo que propor um caminho seguro de vida fará sucesso. No âmbito religioso assistimos o crescimento de movimentos fundamentalistas, que propõe a salvação mediante a prática dos seus ritos religiosos e da sua interpretação dos textos sagrados.
No catolicismo sempre se ensinou que a salvação vem pelas obras. Ainda corremos o risco de achar que seremos salvos porque praticamos boas obras, ou porque guardamos todos os preceitos religiosos. No fundo isso é uma espécie de barganha com o divino. Não serei salvo porque sou bom, mas porque Deus é bom e graça (kharis) e ele deseja me salvar. O comportamento ético deve ser pautado pela fraternidade e respeito ao ser humano como tal e não como busca de uma recompensa de salvação por parte do divino.
Mesmo em tempos turbulentos, sejam estas consequencias de nossas más ações ou por ocasiões da vida,  devemos crer que Deus sempre nos acompanha. E essa é a caracteristica da graça divina. Aquilo que Paulo deseja aos irmãos cristãos sempre ao início de suas cartas, em suas saudações, é sempre verdade: a graça e a paz de Deus Nosso Pai e do Senhor Jesus, sempre estão conosco (Gl 1,3; 6,18).
Fr. Inácio José, mercedário
[1] 15Deus, porém, tinha me posto à parte desde o ventre materno. Quando então ele me chamou por sua graça 16e se dignou revelar-me o seu Filho, para que eu o anunciasse aos pagãos, não consultei carne e sangue, 17nem subi, logo, a Jerusalém para estar com os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e, depois, voltei ainda a Damasco.
[2] 9Reconhecendo a graça que me foi dada, Tiago,Cefas e João, considerados as colunas da igreja, deram-nos a mão, a mim e a Barnabé,
como sinal de nossa comunhão recíproca. Assim ficou confirmado que nós iríamos aos pagãos, e eles, aos judeus. 10O que nos recomendaram foi somente que nos lembrássemos dos pobres. E isso procurei fazer sempre,
com toda a solicitude.

leitura orante

Data: 02/03/17

Leitura Orante da Palavra – Citação: Gl 2,15-21

1° passo – Leitura
O que o texto diz? Paulo lembra que é a fé e não a circuncisão que salva tanto a judeus como pagãos e que ele está “crucificado com Cristo” e que agora vive pela fé no Cristo que nele habita.

2° passo - Meditação
O que o texto diz para mim? O versiculo que me chama a atenção é o vs 21 “não torno inútil a graça de Deus”. Deus constantemente derrama em nós seu amor e carinho, nos favorece; mas, por outro lado, podemos estar fechados à graça de Deus, porque Deus respeita a nossa liberdade.

3° passo - Contemplação
O que a Palavra me leva a experimentar? A Palavra me leva a experimentar o carinho divino por mim, que gratuitamente me reconcilia consigo por meio de Seu Filho Jesus.

4° passo - Oração
O que a Palavra me leva a falar com Deus? “Pai de amor e de bondade, ajuda-me a sempre ter um coração dócil para acolher a sua graça que me conduz à salvação. Por Cristo Nosso Senhor, amém”.

5° passo - Ação

O que a Palavra me leva a viver? A Palavra me leva a anunciar, com mais intensidade, o amor gratuito de Deus pelas pessoas; Deus as ama independente de merecerem ou não.

QUE O SENHOR TE ABENÇOE

  QUE O SENHOR TE ABENÇOE! Na Solenidade da Santa Mãe de Deus , celebrada no início de cada ano, a liturgia propõe como primeira leitura o t...