sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

quarta feira de cinzas


 Quarta-feira de Cinzas 

No Evangelho de hoje, Jesus, no Sermão da Montanha, fala sobre as três obras de piedade do judaísmo – a oração, a esmola e o jejum – que a fé cristã também adotou, especialmente durante a Quaresma. A temática central é que essas práticas não devem ser feitas para serem vistas pelos homens, mas sim por Deus, que vê o que está oculto (Mt 6, 4.6.18). 

1. A esmola: A palavra "esmola" traduz o hebraico ‘tzedaká’, que significa "fazer justiça". Portanto, a esmola não é simplesmente dar o que nos sobra, mas partilhar do que temos para garantir a dignidade do próximo, especialmente dos mais necessitados. 

2. A oração: A oração é o momento de crescer na intimidade com Deus, discernindo Sua vontade para nossas vidas. É um diálogo que nos transforma e nos aproxima d’Ele. 

3. O jejum: O jejum é a prática da mortificação alimentar, que nos ajuda a desenvolver o autodomínio, controlando desejos e sentimentos desordenados. 

Essas três práticas corrigem nossas relações: 

- A oração corrige nossa relação com Deus. 

- O jejum corrige nossa relação conosco mesmos. 

- A esmola corrige nossa relação com o próximo, especialmente os mais pobres. 

Essas obras de piedade devem ser vividas não apenas na Quaresma, mas ao longo de toda a nossa vida, de forma discreta e sincera. 

Práticas da Quaresma: 

- Jejum e abstinência: Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa, a Igreja pede o jejum (ficar sem uma das três refeições do dia ou comer bem menos) e a abstinência de carne vermelha. Essas práticas nos ajudam a domesticar nossos desejos desordenados e a partilhar com os necessitados aquilo que deixamos de consumir. 

- Penitências quaresmais: É comum escolhermos algo de que gostamos muito (como um alimento ou um hábito) e renunciar a isso durante os 40 dias da Quaresma, oferecendo esse sacrifício como gesto de conversão e partilha. 

O profeta Joel convida o povo a um jejum que não seja apenas exterior, mas que venha do coração: "Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes" (Jl 2, 13). A Quaresma é um tempo para nos arrependermos dos nossos pecados, mudarmos de vida e nos configurarmos mais a Jesus. 

São Paulo nos lembra que este é o tempo favorável para nos reconciliarmos com Deus. Não sabemos se teremos outra Quaresma, por isso devemos vivê-la com intensidade, revisando as promessas do nosso batismo e renunciando ao pecado e às suas seduções. 

Pe. Fr. Inácio José, teólogo e biblista

8 domingo comum

  


8º domingo comum

No Evangelho de hoje, Jesus, no Sermão da Planície, censura a atitude dos hipócritas. Ele começa com uma pergunta provocativa: "Pode um cego guiar outro cego?" (Lc 6, 39). Essa pergunta nos faz refletir sobre como, muitas vezes, enxergamos pequenos defeitos nos outros, mas somos incapazes de reconhecer grandes falhas em nós mesmos. Jesus usa a imagem do "cisco no olho do irmão" e da "trave no próprio olho" para ilustrar essa incoerência (Lc 6, 41-42). 

Em seguida, Ele fala sobre a árvore boa e a árvore má: "A árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos" (Lc 6, 43). Essa imagem nos ensina que conhecemos uma pessoa pelos frutos que ela produz, ou seja, por suas ações e comportamento. Jesus reforça: "O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira coisas más do mau tesouro, pois a boca fala daquilo de que o coração está cheio" (Lc 6, 45). 

Essa mensagem é especialmente relevante hoje, quando vivemos em um mundo onde as redes sociais se tornaram um espaço para discursos de ódio e violência. Muitas pessoas propagam ideias que justificam a discriminação, a violência e até a morte, e o que é mais triste é que essas ideias são aplaudidas por alguns, inclusive por aqueles que se dizem cristãos. Jesus nos alerta: a boca revela o que está no coração. Quando alguém fala palavras de ódio, está mostrando um coração cheio de maldade. 

No livro do Eclesiástico (também chamado de Sirácida), o autor, Jesus filho de Sirac, reflete sobre a importância da fala. Ele diz: "Os defeitos de um homem aparecem no seu falar" (Eclo 27, 5). A fala revela o coração, e por isso devemos ter cuidado com o que dizemos. O texto também nos adverte: "Não elogie ninguém antes de ouvi-lo falar, pois é na fala que o ser humano se revela" (Eclo 27, 7). 

Infelizmente, hoje vemos pessoas sendo elogiadas e aplaudidas por discursos de ódio e violência. Isso é uma inversão dos valores cristãos, que pregam o amor, a justiça e a misericórdia. Como cristãos, não podemos compactuar com essa retórica de maldade. 

Na segunda leitura, São Paulo reflete sobre a ressurreição. Ele diz: "O que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestirá de imortalidade" (1 Cor 15, 54). Essa transformação é possível graças a Cristo, que venceu a morte e o pecado. 

Paulo também nos lembra que a salvação não vem do cumprimento de regras ou leis, mas da graça de Cristo. Ele combate o legalismo, a ideia de que podemos "barganhar" a salvação apenas por meio de obras. Somos salvos pela misericórdia de Deus, e não por nossos próprios méritos. 

Pe. Fr. Inácio José, teólogo e biblista.

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