Uma Igreja
em Saída
Caros leitores. Desde que o papa Francisco assumiu o governo da
Igreja Católica, ele tem proposto uma Igreja missionária, que vá ao encontro
das pessoas afastadas e sobretudo, dos mais pobres e dos que sofrem[1].
“A Igreja «em
saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se
envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam –
desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária
experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4,
10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao
encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um
desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia
infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a
iniciativa!” (EG 24)
Da mesma forma
como Deus tomou a iniciativa e veio ao nosso encontro por meio de seu Filho
Jesus Cristo, o Papa convida a Igreja a tomar a iniciativa de ir ao encontro
das pessoas, sobretudo dos mais afastados. Nesse sentido, faz-se urgente uma conversão
pastoral que modifique as estruturas que centralizam as atividades paroquiais
na “matriz” em detrimento das demais comunidades paroquiais. Deve-se estimular
às comunidades centrais irem para a periferia, para fazer a experiência de
celebrarem com os irmãos distantes a alegria de pertencerem à mesma fé. Nesse sentido
o mesmo Papa nos convida à descentralização:
“Prefiro
uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma
Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias
seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa
num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve
santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos
nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo,
sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida.
Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas
estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em
juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá
fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós
mesmos de comer» (Mc 6, 37).” (EG 49)
A Igreja em
saída é sobretudo uma comunidade de fé que caminha na direção dos pobres. A opção
preferencial pelos pobres é uma opção feita por Jesus Cristo, como podemos
perceber no evangelho. Jesus ama a todos, mas está ao lado preferencial dos
mais pobres, por serem estes os que, no mundo mais sofrem. Ser cristão de
verdade é abrir o coração e as mãos para acolher e praticar a solidariedade
para com os mais necessitados.
“Se a Igreja
inteira assume este dinamismo missionário, há de chegar a todos, sem exceção.
Mas, a quem deveria privilegiar? Quando se lê o Evangelho, encontramos uma
orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo
aos pobres e aos doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e
esquecidos, «àqueles que não têm com que te retribuir» (Lc 14, 14). Não
devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima.
Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho»,52 e
a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio
trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a
nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!” (EG 48)
Que este Papa,
vindo do “fim do mundo” como ele próprio se referiu a si mesmo em seu discurso
de início de pontificado, nos estimule cada vez a mais a sermos uma Igreja
pobre com os mais pobres, como era o sonho de Jesus Cristo. Rezemos por ele,
por seu pontificado, para que gere cada mais conversão na Igreja e mudança das
estruturas contraditórias da mesma. Deixemo-nos inspirar por seu exemplo e
palavra que, com certeza, nos aproximam cada vez mais da fidelidade ao
evangelho de Jesus Cristo.
Fr. Inácio José, mercedário – cidadão bomsucessence.
[1] Todas as
citações são da exortação apostólica Evangelli Gaudium do Papa Francisco,
citada como EG.
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