terça-feira, 26 de junho de 2018

Igreja em Saída


Uma Igreja em Saída
Caros leitores. Desde que o papa Francisco assumiu o governo da Igreja Católica, ele tem proposto uma Igreja missionária, que vá ao encontro das pessoas afastadas e sobretudo, dos mais pobres e dos que sofrem[1].

“A Igreja «em saída» é a comunidade de discípulos missionários que «primeireiam», que se envolvem, que acompanham, que frutificam e festejam. Primeireiam – desculpai o neologismo –, tomam a iniciativa! A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1 Jo 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. Ousemos um pouco mais no tomar a iniciativa!” (EG 24)

Da mesma forma como Deus tomou a iniciativa e veio ao nosso encontro por meio de seu Filho Jesus Cristo, o Papa convida a Igreja a tomar a iniciativa de ir ao encontro das pessoas, sobretudo dos mais afastados. Nesse sentido, faz-se urgente uma conversão pastoral que modifique as estruturas que centralizam as atividades paroquiais na “matriz” em detrimento das demais comunidades paroquiais. Deve-se estimular às comunidades centrais irem para a periferia, para fazer a experiência de celebrarem com os irmãos distantes a alegria de pertencerem à mesma fé. Nesse sentido o mesmo Papa nos convida à descentralização:

“Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos. Se alguma coisa nos deve santamente inquietar e preocupar a nossa consciência é que haja tantos irmãos nossos que vivem sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida. Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).” (EG 49)

A Igreja em saída é sobretudo uma comunidade de fé que caminha na direção dos pobres. A opção preferencial pelos pobres é uma opção feita por Jesus Cristo, como podemos perceber no evangelho. Jesus ama a todos, mas está ao lado preferencial dos mais pobres, por serem estes os que, no mundo mais sofrem. Ser cristão de verdade é abrir o coração e as mãos para acolher e praticar a solidariedade para com os mais necessitados.

“Se a Igreja inteira assume este dinamismo missionário, há de chegar a todos, sem exceção. Mas, a quem deveria privilegiar? Quando se lê o Evangelho, encontramos uma orientação muito clara: não tanto aos amigos e vizinhos ricos, mas sobretudo aos pobres e aos doentes, àqueles que muitas vezes são desprezados e esquecidos, «àqueles que não têm com que te retribuir» (Lc 14, 14). Não devem subsistir dúvidas nem explicações que debilitem esta mensagem claríssima. Hoje e sempre, «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho»,52 e a evangelização dirigida gratuitamente a eles é sinal do Reino que Jesus veio trazer. Há que afirmar sem rodeios que existe um vínculo indissolúvel entre a nossa fé e os pobres. Não os deixemos jamais sozinhos!” (EG 48)

Que este Papa, vindo do “fim do mundo” como ele próprio se referiu a si mesmo em seu discurso de início de pontificado, nos estimule cada vez a mais a sermos uma Igreja pobre com os mais pobres, como era o sonho de Jesus Cristo. Rezemos por ele, por seu pontificado, para que gere cada mais conversão na Igreja e mudança das estruturas contraditórias da mesma. Deixemo-nos inspirar por seu exemplo e palavra que, com certeza, nos aproximam cada vez mais da fidelidade ao evangelho de Jesus Cristo.

Fr. Inácio José, mercedário – cidadão bomsucessence.


[1] Todas as citações são da exortação apostólica Evangelli Gaudium do Papa Francisco, citada como EG.

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