Caros
leitores, a quaresma nos prepara para a celebração da Páscoa, a ressurreição de
Jesus, festa maior do povo cristão. Do ponto de vista histórico e litúrgico, esse
tempo foi criado pela Igreja, com a finalidade de ser a preparação final para
aqueles que haveriam de receber o batismo, na vigília pascal. Para os que já
são batizados, esse tempo quer ser um retiro espiritual profundo, no qual o
fiel revisite as suas promessas batismais, percebendo se está sendo fiel ou não
a Cristo.
A
quaresma de cada ano litúrgico aponta-nos para um mistério da Páscoa. A deste
ano, ano litúrgico A, a partir do terceiro domingo, nos remeterá ao significado
profundo do batismo, celebrado na vigília Pascal. Os anos B e C possuem outras
perspectivas.
A
quaresma começa com a quarta-feira de cinzas, recordando a nossa mortalidade, mas
ao mesmo tempo, lembrando a promessa da imortalidade, da vida eterna, que nos
foi dada no batismo. No evangelho deste dia, Jesus nos recorda que a oração, jejum
e esmola, devem ser praticados com o intuito de agradar somente a Deus, e não
arrancar elogios das pessoas. A prática genuína destes atos de piedade, fazem
com que toda a vida do fiel, seja novamente reorientada para Deus (cf. Mt
6,1-6.16-18).
O
primeiro domingo quaresmal coloca-nos diante das tentações de Cristo no deserto.
Jesus é tentado pelo diabo que lhe oferece a oportunidade de satisfazer-se com
a matéria (pão), de manipular e controlar a Deus e de dominar todo o mundo. Para
cada tentação, Jesus cita um versículo do livro do deuteronômio, mostrando que,
somente enraizados na Palavra de Deus, teremos o discernimento necessário para
perceber se uma proposta nos vem de Deus ou nos separa Dele (cf. Mt 4,1-11).
O
segundo domingo quaresmal coloca-nos diante da transfiguração de Jesus, mostrando-nos
que, se vivermos bem a quaresma, a nossa vida é transformada, é transfigurada
em Cristo. O grande apelo deste domingo é que escutemos somente a Jesus, pois Ele
é quem, agora, nos revela de forma definitiva Deus e, não mais, Moisés e Elias
(cf. Mt 17,1-9).
O
terceiro domingo quaresmal coloca-nos diante de Jesus dialogando com a
samaritana, à beira do poço de Jacó. Neste domingo inicia-se o direcionamento
para o batismo. O poço simboliza a pia batismal, onde somos mergulhados nas
águas vivas do Espírito Santo e, inseridos na vida eterna de Deus. Além disso,
lembra-nos que o batismo estabelece uma relação esponsal entre o fiel e Cristo
(cf. Jo 4,5-42)
O
quarto domingo quaresmal coloca nos diante da cura do cego de nascença, outro
texto claramente batismal. Jesus manda o cego lavar-se na piscina de Siloé, cujo
nome significa “enviado”. Para o evangelho de João, o enviado do Pai é Jesus. A
“piscina” na qual nós devemos mergulhar e nos lavar, é a própria pessoa do
Cristo, que haverá de tirar a nossa cegueira espiritual, fazendo com que O
enxerguemos como o Senhor e Filho de Homem (cf. Jo 9,1-41).
Por
fim, o quinto domingo quaresmal, coloca-nos diante da consequência de nossa
fidelidade batismal. O relato da ressurreição de Lázaro, nos mostra que aquele
que foi batizado, não somente passa por uma ressurreição existencial, passando
do pecado à graça, bem como, também, tem a promessa de, se crer em Jesus Cristo,
ou seja, se viver uma vida autenticamente cristã, viverá eternamente, mesmo que
morra (cf. Jo 11,1-45). Em síntese: o batismo nos concede o dom do espírito,
nos aliança com Cristo, abre os nossos olhos espirituais para compreender profundamente
a pessoa de Jesus e semeia em nós a vida eterna.
Desejo
a você, caro leitor, uma santa quaresma. Que seja tempo propício de
redirecionar sua vida a Deus, único absoluto de nossa existência. Deus te abençoe.
Pe.
Fr. Inácio José, mestre em teologia bíblica.
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