ESPÍRITO SANTO: PRESENÇA DE CRISTO EM NÓS
A Solenidade de Pentecostes está se aproximando, marcando o fim do
tempo Pascal. Este período litúrgico teve como finalidade ensinar-nos a
reconhecer a presença de Jesus ressuscitado em nossa vida cotidiana, o mesmo
desafio que os primeiros discípulos enfrentaram com relação à nova presença de
Cristo em suas vidas. Esse desafio também se aplica aos cristãos atuais. Muitas
vezes não prestamos atenção à presença de Jesus em nossa existência,
permitindo-nos ser guiados por valores mundanos que frequentemente contradizem
os ensinamentos do evangelho que professamos.
O
Novo Testamento apresenta duas teologias distintas sobre a vinda do Espírito
Santo, embora ambas coincidam com a ideia de que, com a vinda do Espírito,
nasce a Igreja, com a missão de testemunhar Jesus.
Para
a teologia joanina, Cristo ressuscitado derramou o Espírito Santo no dia da
ressurreição, simbolizando uma nova criação com seu sopro. A igreja se torna
semente de uma nova humanidade, enviada por Cristo para reconciliar e levar a
paz a todos (Jo 20,19-23; Gn 2,7).
Já a
teologia lucana indica que o Espírito Santo foi dado no Pentecostes, 50 dias
após a Páscoa, durante a festividade judaica que celebrava o início das
colheitas e o recebimento das tábuas da lei por Moisés (At 2, 1-4). Lucas vê o
Espírito Santo como aquele que marca o coração dos fiéis para a “colheita”, escrevendo
a lei de Deus neles, tornando-os testemunhas de Cristo ressuscitado no mundo.
A
que “colheita” Lucas se refere? Ele se refere à colheita celestial. Cristo foi
o primeiro a ser colhido (1Cor 15,20-23). Os primeiros que se converteram são
chamados de primícias (Tg 1,18; 1Cor 16,15; Rm 16,5). O Espírito Santo foi
concedido como primícia da Redenção e provocará nossa ressurreição, no fim dos
tempos (Rm 8,23). Aqueles que já estão no céu são referidos como primícias no
Apocalipse (Ap 14,4).
Lucas
pode estar pensando na profecia de Ez 36,26-27, onde Deus prometeu substituir
os corações de pedra por corações de carne e inscrever suas leis nos corações
de seu povo. Assim, eles observariam a vontade de Deus com alegria. Se antes a
aliança estava escrita em tábuas de pedra, agora está inscrita nos corações
humanos, com o Espírito (2Cor 3,3).
No
início deste artigo, abordamos o desafio dos primeiros cristãos em compreender
a nova presença de Cristo entre eles após a ressurreição. Historicamente,
Cristo estava ao lado deles; agora, ressuscitado, Cristo está dentro deles. O
novo testamento, em várias passagens, ensina que o Espírito Santo habita no
coração do cristão (1Cor 3,16; 1Cor 6,19; Jo 14,17; 2Tim 1,14; 1Jo 4,13). Em
certas ocasiões, o Espírito de Deus é também chamado de Espírito de Cristo (Rm
8,9; Rm 8,11; Fil 1,19; Gl 4,6). Por isso, durante sua existência cristã, o
fiel deverá constantemente perguntar-se, com sinceridade e fé: "O que
Cristo faria se estivesse aqui, no meu lugar?" E o Espírito Santo, que
habita seu coração desde o batismo, haverá de mostrar-lhe qual é a conduta
cristã correta (Jo 14,26). Sendo fiel às inspirações divinas, realizará a
vontade do Pai, pois esta lei está escrita em seu interior. Assim, encaminhar-se-á
para a colheita definitiva no céu.
Deus
te abençoe e deixe-se iluminar pelo Espírito Santo que lhe habita.
Pe. Fr.
Inácio José, teólogo e biblista.
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