A MERCÊ DE DEUS
Caros leitores. Continuemos nosso aprofundamento bíblico buscando nas Sagradas Escrituras o fundamento de nosso carisma mercedário.
Moisés invocou o nome de Iahweh. Iahweh passou diante dele, e ele exclamou: "Iahweh! Iahweh... Deus de compaixão e de piedade, lento para a cólera e cheio de amor e fidelidade; que guarda o seu amor a milhares, tolera a falta, a transgressão e o pecado, mas a ninguém deixa impune e castiga a falta dos pais nos filhos e nos filhos dos seus filhos, até a terceira e quarta geração." Imediatamente Moisés caiu de joelhos por terra e adorou; depois ele disse: "Iahweh, se agora encontrei graça aos teus olhos, segue em nosso meio conosco, mesmo que este povo seja de cerviz dura. Perdoa as nossas faltas e os nossos pecados, e toma-nos por tua herança." (Ex 34,6-9)
Esse texto está localizado após a infidelidade do povo a Iahweh, adorando o bezerro de ouro (Ex 32), enquanto Moisés estava no monte recebendo as novas tabuas da Lei. Moisés intercede a Deus pelo povo invocando a sua misericórdia. O que ele nos diz do carisma mercedário? Simplesmente ele nos revela os atributos essenciais da “Mercê de Deus”. Deus é rachum compassivo (que ama com amor entranhável de mãe) e hannun piedoso (amigo que tem piedade até mesmo para com os que lhe são infiéis). Além disso Deus é rico em clemência e lealdade (hesed veemet). Deus é fiel apesar da infidelidade do povo. Esse Deus Misericordioso foi experimentado, pelos cristãos, na pessoa de Jesus Cristo e Paulo elabora essa experiência da seguinte forma:
3Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias (oiktirmos grego. rahamim hebraico.) e Deus de toda consolação (paraklesis grego.)! 4Ele nos consola em todas as nossas tribulações, para que possamos consolar os que estão em qualquer tribulação, mediante a consolação que nós mesmos recebemos de Deus. (2Cor 1,3-4)
As Constituições Mercedárias de 1272 definem a Deus como “Pai de misericórdia e Deus de toda consolação e auxiliador em toda tribulação”. Essas são as palavras básicas da primeira definição mercedária de Deus, que tem fundamento no Primeiro Testamento (Ex 34, 6-9) e na elaboração paulina, no Segundo Testamento (2Cor 1,3-4).
Misericórdia. A paternidade divina é experimentada como misericórdia, amor que perdoa. Consolação. Tanto Paulo quanto as Constituições supõem que o ser humano está entristecido e necessitado de consolo. Paulo é consolado para consolar, bem como os mercedários são consolados por Deus para que possam consolar os cativos.
Daí se entende a palavra “Mercê”, que significa misericórdia, que a princípio é um atributo divino e que depois nossa tradição aplicará a Virgem Maria. Interessante notar que “la merced” na época de Nolasco era um termo técnico usado para “redenção dos cativos”. O Deus que redimiu os hebreus no Egito realizou “mercê”, libertando e agindo por misericórdia, mesmo que depois o povo lhe fosse infiel.
O Deus que o mercedário é convidado a experimentar é um Deus, revelado como Pai por Jesus, cuja essência é Misericórdia, Compaixão, Piedade, Consolo e Fidelidade, mesmo que a humanidade não mereça tão grande amor. Ao experimentar tamanho amor de Deus, que gratuitamente nos liberta por meio de Jesus, o mercedário é convidado a ser mercê na vida dos demais, promovendo a liberdade das pessoas através de suas palavras e gestos.
Reze, medite esses primeiros textos bíblicos e procure responder à luz da Palavra: experimento a Deus como Misericórdia e Compaixão? E essa experiência me leva a ser misericórdia e compaixão na vida dos cativos? Deus nos abençoe e nos conceda a sua Mercê. Fr. Inácio José, mercedário.
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