sexta-feira, 18 de março de 2022

Não abusemos da paciência divina

A Palavra de Deus, neste terceiro domingo quaresmal, nos convida a conversão. o evangelho nos apresenta um diálogo de Jesus com algumas pessoas que pensavam que as tragédias que aconteciam eram castigos divinos. Jesus esclarece que os galileus assassinados por Pilatos, bem como aqueles que morreram soterrados pela torre de Siloé, não eram pecadores, mas que se nós não nos convertemos morreremos todos do mesmo modo. O que Jesus quis dizer com isso? Jesus, em hipótese alguma, estava justificando que o sofrimento desses que morreram era um castigo dado por Deus, mas queria chamar a atenção de que eles não estavam preparados para morrer: foram assassinados ou lhes aconteceu uma tragédia.

Todos nós haveremos de morrer um dia, mas não sabemos como isso acontecerá. A pergunta que todos nós devemos fazer é: estaremos praticando a vontade de Deus quando a morte chegar? Podemos às vezes cair na ilusão de que Deus sempre tem paciência conosco. Isso é verdade, mas um dia, a árvore de nossa vida será cortada. A parábola que Jesus conta refere-se ao seu ministério. A figueira simboliza o povo de Israel que, ao escutar a palavra de Jesus, não se converteu e nem produziu os frutos de santidade. O dono da vinha simboliza Deus desejoso dos frutos de justiça de seu povo. É interessante notar que se trata de uma figueira plantada numa vinha, ou seja, uma árvore plantada no lugar errado, mas que mesmo assim, Deus tem paciência e espera que esta figueira possa dar os frutos desejados.

Na primeira leitura temos a revelação de nome de Deus dada a Moisés. Deus se revela como “Eu sou” e envia Moisés para libertar o povo da escravidão do faraó. Esse texto nos ensina que Deus é contra todo tipo de escravidão que aflige o ser humano. Esse Deus revelado a Moisés se identifica com o Pai que Jesus nos revelou.

Na segunda leitura por sua vez, Paulo faz uma leitura tipológica de várias cenas do Êxodo, relembrando o cuidado de Deus para com o povo no deserto e, ao mesmo tempo, a murmuração deste para com Deus. Paulo faz uma leitura tipológica destas cenas vétero testamentárias para a sua comunidade de fé em Corinto. A Igreja agora, é o novo povo de Deus, caminhando pela travessia da vida, até chegar na terra prometida da eternidade. Cristo nos alimenta com o seu corpo e sangue, e Ele mesmo é a nossa bebida espiritual que sacia a nossa sede de Deus.

Ao participarmos da celebração eucarística, neste domingo, peçamos ao Pai a graça de não abusar de sua paciência, que aproveitamos a nossa vida para verdadeiramente nos converter ao evangelho e que possamos aprender a ler o Primeiro Testamento a partir da experiência de Cristo, verdadeira palavra de Deus revelada a toda a humanidade.

Deus nos abençoe.

Pe. Fr. Inácio José, mestre em teologia bíblica.





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