quarta-feira, 26 de outubro de 2022

A MULHER VESTIDA DE SOL


 A MULHER REVESTIDA DE SOL

Neste mês, celebramos Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil.  A liturgia nos apresenta, na primeira leitura, o famoso texto de Apocalipse 12:  uma mulher vestida de sol, com a lua aos pés,  coroada de 12 estrelas,  estando grávida dá à luz alguém que é arrebatado para junto de Deus, tendo a missão de governar toda a terra com cetro de ferro. À fragilidade da mulher e do bebê, contrapõem-se a força e a violência do dragão. 

A literatura apocalíptica possui uma característica fundamental:  o místico  vê, antecipadamente, no céu,  aquilo que haverá de acontecer na terra.  Normalmente, a visão é carregada de símbolos,  que somente sua comunidade é capaz de interpretar. Ap 12 é simbólico, mas, em relação à história narrada, traz justamente o contrário:  tudo o que está expressa nessa visão,  já aconteceu. 

A mulher grávida que dá à luz alguém que foi arrebatado ao céu,  sem sombra de dúvida, é Maria, geradora de Jesus que,  no momento da sua ressurreição,  foi levado para junto de Deus. Ela está coroada de 12 estrelas porque é rainha, mãe do rei-messias, Jesus. 

O dragão que tentou devorar a criança  recém-nascida e depois perseguiu a mulher, que fugiu para o deserto,  representa o império romano,  personificado no rei Herodes,  Rei dos Judeus,  colocado nesse posto pelo Imperador Romano. Quem escreve o texto,  já tinha, em mãos, o relato de Mt 2,  que narra a perseguição do rei Herodes ao recém-nascido Jesus. Em outras palavras, Ap 12 e Mt 2,  estão contando o mesmo fato,  só que de forma diferente:  um em forma de narrativa,  outro em forma de visão apocalíptica. 

Jesus era o Rei-Messias esperado por Israel.  Porém,  foi rejeitado pelas lideranças judaicas,  barbaramente assassinado na cruz pelos romanos,  justificado por Deus,  que o ressuscitou. Ap 12 e Mt 2, tem como pano de fundo, esse fato histórico. 

O vidente de Ap 12  contempla a mulher no céu.   Na sagrada escritura, o céu é a moradia de Deus. Quando o autor escreve esse texto,  provavelmente já se tinha a crença, na Igreja Primitiva,  de que Maria, mãe de Jesus,  havia sido ressuscitada,  já habitando a eternidade. Por isso, a Igreja Católica venera, atualmente, com muito amor e carinho, Nossa Senhora,  pois contempla, realizada nela,  a esperança que todos nós aguardamos: de um dia viveremos eternamente no céu. 

Por outro lado,  essa mulher é perseguida pelo Dragão e foge para o deserto.  Por isso alguns exegetas,  imaginam que a mulher possa representar a Igreja,  perseguida pelas forças do mal, até chegar o dia de sua exaltação ao céu. Mas, por outro lado, pode simbolizar, também, Maria.  Mt 2 relata o exílio de Maria, José e Jesus para o Egito (deserto), fugindo de Herodes (dragão). Ap 12 narra a mesma coisa, só que em linguagem simbólica. 

Deste pequeno exercício exegético, aprendemos algumas lições marianas: Maria é rainha porque é mãe do Rei Messias, Jesus Cristo, que, desde a sua ressurreição, já governa todo o universo. Maria já está ressuscitada no céu, o que nos alimenta a esperança de, um dia, estarmos lá, para vivermos, eternamente, com Deus. Mas, o fato dela estar gloriosa no céu, não a afasta das dores da Igreja. Por isso, como membro da Igreja, que ainda está sofrendo as perseguições das forças maléficas contrárias ao evangelho, ela participa conosco, de nosso exílio temporário da paz.  

Por isso, ao celebrarmos a Padroeira do Brasil, peçamo-la que interceda, junto de Deus, para o nosso Brasil, paz e prosperidade e que nos liberte das forças do mal e da violência que assombram a nossa convivência. 

Pe. Fr. Inácio José, Mestre em Teologia Bíblica.



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