Quarta-feira de Cinzas
No Evangelho de hoje, Jesus, no Sermão da Montanha, fala sobre as
três obras de piedade do judaísmo – a oração, a esmola e o jejum – que a fé
cristã também adotou, especialmente durante a Quaresma. A temática central é
que essas práticas não devem ser feitas para serem vistas pelos homens, mas sim
por Deus, que vê o que está oculto (Mt 6, 4.6.18).
1. A esmola: A palavra "esmola" traduz o hebraico ‘tzedaká’,
que significa "fazer justiça". Portanto, a esmola não é simplesmente
dar o que nos sobra, mas partilhar do que temos para garantir a dignidade do
próximo, especialmente dos mais necessitados.
2. A oração: A oração é o momento de crescer na intimidade com
Deus, discernindo Sua vontade para nossas vidas. É um diálogo que nos
transforma e nos aproxima d’Ele.
3. O jejum: O jejum é a prática da mortificação alimentar, que nos
ajuda a desenvolver o autodomínio, controlando desejos e sentimentos
desordenados.
Essas três práticas corrigem nossas relações:
- A oração corrige nossa relação com Deus.
- O jejum corrige nossa relação conosco mesmos.
- A esmola corrige nossa relação com o próximo, especialmente os
mais pobres.
Essas obras de piedade devem ser vividas não apenas na Quaresma,
mas ao longo de toda a nossa vida, de forma discreta e sincera.
Práticas da Quaresma:
- Jejum e abstinência: Na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira
Santa, a Igreja pede o jejum (ficar sem uma das três refeições do dia ou comer
bem menos) e a abstinência de carne vermelha. Essas práticas nos ajudam a
domesticar nossos desejos desordenados e a partilhar com os necessitados aquilo
que deixamos de consumir.
- Penitências quaresmais: É comum escolhermos algo de que gostamos
muito (como um alimento ou um hábito) e renunciar a isso durante os 40 dias da
Quaresma, oferecendo esse sacrifício como gesto de conversão e partilha.
O profeta Joel convida o povo a um jejum que não seja apenas
exterior, mas que venha do coração: "Rasgai os vossos corações e não as
vossas vestes" (Jl 2, 13). A Quaresma é um tempo para nos arrependermos
dos nossos pecados, mudarmos de vida e nos configurarmos mais a Jesus.
São Paulo nos lembra que este é o tempo favorável para nos
reconciliarmos com Deus. Não sabemos se teremos outra Quaresma, por isso
devemos vivê-la com intensidade, revisando as promessas do nosso batismo e
renunciando ao pecado e às suas seduções.
Pe. Fr. Inácio José, teólogo e biblista

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