8º domingo comum
No Evangelho de hoje, Jesus, no Sermão da Planície, censura a
atitude dos hipócritas. Ele começa com uma pergunta provocativa: "Pode um
cego guiar outro cego?" (Lc 6, 39). Essa pergunta nos faz refletir sobre
como, muitas vezes, enxergamos pequenos defeitos nos outros, mas somos
incapazes de reconhecer grandes falhas em nós mesmos. Jesus usa a imagem do
"cisco no olho do irmão" e da "trave no próprio olho" para
ilustrar essa incoerência (Lc 6, 41-42).
Em seguida, Ele fala sobre a árvore boa e a árvore má: "A
árvore boa dá bons frutos, e a árvore má dá maus frutos" (Lc 6, 43). Essa
imagem nos ensina que conhecemos uma pessoa pelos frutos que ela produz, ou
seja, por suas ações e comportamento. Jesus reforça: "O homem bom tira
coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira coisas más do
mau tesouro, pois a boca fala daquilo de que o coração está cheio" (Lc 6,
45).
Essa mensagem é especialmente relevante hoje, quando vivemos em um
mundo onde as redes sociais se tornaram um espaço para discursos de ódio e
violência. Muitas pessoas propagam ideias que justificam a discriminação, a
violência e até a morte, e o que é mais triste é que essas ideias são
aplaudidas por alguns, inclusive por aqueles que se dizem cristãos. Jesus nos
alerta: a boca revela o que está no coração. Quando alguém fala palavras de
ódio, está mostrando um coração cheio de maldade.
No livro do Eclesiástico (também chamado de Sirácida), o autor,
Jesus filho de Sirac, reflete sobre a importância da fala. Ele diz: "Os
defeitos de um homem aparecem no seu falar" (Eclo 27, 5). A fala revela o
coração, e por isso devemos ter cuidado com o que dizemos. O texto também nos
adverte: "Não elogie ninguém antes de ouvi-lo falar, pois é na fala que o
ser humano se revela" (Eclo 27, 7).
Infelizmente, hoje vemos pessoas sendo elogiadas e aplaudidas por
discursos de ódio e violência. Isso é uma inversão dos valores cristãos, que
pregam o amor, a justiça e a misericórdia. Como cristãos, não podemos
compactuar com essa retórica de maldade.
Na segunda leitura, São Paulo reflete sobre a ressurreição. Ele
diz: "O que é corruptível se revestirá de incorruptibilidade, e o que é
mortal se revestirá de imortalidade" (1 Cor 15, 54). Essa transformação é
possível graças a Cristo, que venceu a morte e o pecado.
Paulo também nos lembra que a salvação não vem do cumprimento de
regras ou leis, mas da graça de Cristo. Ele combate o legalismo, a ideia de que
podemos "barganhar" a salvação apenas por meio de obras. Somos salvos
pela misericórdia de Deus, e não por nossos próprios méritos.
Pe. Fr. Inácio José, teólogo e biblista.
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