Neste primeiro domingo da Quaresma, somos convidados a entrar no deserto junto com Jesus, para que, guiados pelo Espírito Santo e fortalecidos pela Palavra, possamos vencer as tentações.
Começaremos com o Evangelho, recordando que, em todo
primeiro domingo da Quaresma, meditamos sobre as tentações de Jesus. Desta vez,
refletiremos sobre a versão narrada por Lucas.
A cena das tentações nos ajuda a compreender as provações
enfrentadas por todo ser humano. Jesus, sendo Deus feito homem, viveu tentações
que também nos atingem. Sempre são três as principais tentações que permeiam a
vida humana, e Jesus, fortalecido pela Palavra, as venceu.
A primeira tentação é a do materialismo: transformar pedra
em pão para saciar a fome. Essa tentação revela a ilusão de que os bens
materiais podem preencher o vazio do coração humano. No entanto, Jesus ensina
que "não só de pão vive o homem". Alguns também interpretam essa
tentação como a tentação do poder em benefício próprio, pois Jesus não utiliza
seu poder para saciar sua fome, mas multiplica os pães para alimentar a
multidão faminta.
Na segunda tentação, Jesus é levado a um alto monte e o
diabo promete conceder-lhe autoridade sobre o mundo, caso o adore. Jesus
responde: "Adorará somente ao Senhor teu Deus e só a Ele servirás".
Aqui vemos a tentação do poder, do desejo de ter o mundo a seus pés. É
significativo que essa tentação esteja ligada à adoração ao diabo, pois quem
adora verdadeiramente a Deus não busca dominar os outros, mas servir ao próximo
com amor e humildade.
A terceira tentação é a da manipulação do poder sagrado: o
diabo sugere que Jesus se lance do alto do templo para que Deus o salve
milagrosamente. Essa é a tentação da superstição, da manipulação do sagrado, na
qual se busca forçar Deus a agir conforme nossa vontade. Jesus nos ensina que a
oração deve sempre estar em conformidade com a vontade divina, e não ao
contrário.
Na primeira leitura, encontramos a profissão de fé do povo
de Deus. Quando os israelitas iam ao templo para fazer suas ofertas, recordavam
que Deus os libertou da escravidão do Egito. Essa profissão de fé está presente
em várias passagens bíblicas e reafirma que Deus é contra toda forma de
escravidão, exploração e opressão.
A profissão de fé cristã segue esse princípio, mas é
centrada na ressurreição de Jesus. Deus libertou Jesus da morte, e essa é a
esperança dos cristãos: a própria ressurreição. No Antigo Testamento, Deus
libertou Israel da escravidão; no Novo Testamento, liberta a humanidade da
morte por meio da ressurreição de Cristo. É por isso que acreditamos em Jesus:
Ele está vivo, é o Filho de Deus, morreu, mas foi ressuscitado e reina para
sempre.
Durante esta Quaresma, sigamos o exemplo de Jesus, que
venceu as tentações porque estava repleto do Espírito Santo e instruído pela
Palavra. Rezemos mais, para que o Espírito nos ilumine e nos dê força para
mudarmos aquilo que precisa ser transformado em nossas vidas. Alimentemo-nos da
Palavra de Deus, pois Cristo é a verdadeira Palavra que saiu da boca do Pai.
As orações da Santa Missa enfatizam essa reflexão. Na
primeira oração, pedimos a Deus que, por meio da Quaresma, possamos compreender
melhor o mistério de Cristo e conformar nossa vida a Ele. Na oração das
oferendas, pedimos que nossa vida se misture aos dons oferecidos no altar. E,
na oração pós-comunhão, rogamos que, fortalecidos na fé, esperança e caridade,
vivamos unicamente de Cristo.
A fé cristã ensina que a Palavra de Deus é uma pessoa: Nosso
Senhor Jesus Cristo. Alimentemo-nos d'Ele, tanto na Palavra quanto na
Eucaristia, para termos forças na travessia de nosso deserto rumo à
ressurreição e à vida eterna.
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