terça-feira, 14 de junho de 2016

aprofundamento miquéias

PARTE 1 04 de setembro
O que é ser profeta? Quem é o profeta Miquéias?

Nesse ano de 2016, Ano Santo da Misericórdia, a Igreja nos convida, no mês da Bíblia, a aprofundar o livro do profeta Miquéias, tendo como lema: "Praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus" (cf. Mq 6,8).
O profetismo nasceu em Israel ao mesmo tempo em que o povo deixou o sistema tribal e passou a ser monarquia, ou seja, tendo como governante um rei. Os profetas eram pessoas que falavam em nome do Deus do Êxodo, criticando os abusos de poder dos líderes do povo e denunciando a infidelidade à Aliança feita do povo para com Deus. Anunciavam a Aliança com Deus, denunciavam os pecados sociais e religiosos do povo e consolavam-no quando este caía em desgraça.
Miquéias era de Morasti, a 35km de Jerusalém; profetizou nos tempos dos reis Acaz e Ezequias em Judá, sendo contemporâneo do profeta Isaías. Seu trabalho profético deve ser situado entre os anos 740 a 700 antes de Cristo. Denuncia os pecados tanto do Reino do Norte (Israel), como do Reino do Sul (Judá).
“No âmbito nacional, Miquéias denuncia graves injustiças, especialmente dos governantes, apoiados por falsos profetas. Se a nossa leitura a duas vozes for válida, ela denuncia também as falsas esperanças de solução cultual e de salvação imediata”. [1]

Proponho textos para ler e rezar nessa semana, além de uma pergunta para ajudar na reflexão:
Mq 2,1-5: quem são os ladrões de hoje em dia?
Mq 2,6-13 e Mq 3,5-8: quem são os que falsamente falam em nome de Deus hoje?
Mq 3,1-4: qual o grande pecado da classe política hoje em dia?

Revendo a sua vida à luz da Palavra: pelo batismo você foi ungido(a) por Deus para ser profeta (para anunciar a Palavra, denunciar as injustiças e consolar os que sofrem). Você e sua comunidade tem sido fiéis à missão de serem profetas?

Boa semana. Deus te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

PARTE 2 11 de setembro

Estrutura do livro do profeta Miquéias.
Dentre várias propostas de estrutura, tomamos a que se encontra na introdução da Bíblia da CNBB[2]. O livro pode ser dividido em quatro grandes partes intercaladas entre palavras de ameaças e promessas de salvação.
1.      Capítulos 1 a 3. São palavra de ameaças do profeta. Aqui o profeta denuncia os pecados de Israel e de Judá, dizendo que eles provocam a ruína de Samaria e a invasão de Judá. Denuncia também os abusos dos ricos proprietários e os pecados dos líderes políticos e religiosos.
2.      Capítulos 4 a 5. São palavras que prometem a salvação. Aqui o profeta se centra no tema da salvação. Anuncia a restauração do monte Sião, a reunião dos filhos de Israel, a vinda do Rei da Paz (Messias), o resto de Israel e de Jacó disperso não será destruído.
3.      Capítulos 6 a 7,7. Novas ameaças contra Judá. O profeta anuncia o julgamento de Deus para com Judá e Israel, contra seus cultos vazios de justiça, anuncia o castigo de Judá por causa de sua injustiça social e lamenta a triste situação infiel de seu povo.
4.      Capítulo 7,8-20. Novas promessas de salvação a Sião. O profeta proclama a certeza da salvação a partir do reconhecimento da culpa do povo.

Para ler e rezar nessa semana:
Mq 4,1-5. O profeta anuncia uma palavra de esperança e restauração ao povo. Quem são os que anunciam essa palavra hoje?
Revendo sua vida à luz da Palavra: como você e sua comunidade tem vivido a missão de consolar os que sofrem?

Boa semana. Deus te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

PARTE 3 18 de setembro

Profeta: portador de uma palavra de conscientização
A palavra profeta em hebraico (nabi), significa “aquele que fala em nome de”. Os profetas bíblicos falam em nome do Deus do Êxodo, que liberta e resgata a vida de seu povo. Para isso, usam uma linguagem ameaçadora que provoca a mudança de vida, tal qual uma mãe que ameaça um castigo ao filho se ele não comportar, ou um médico que diz ao paciente que ele vai morrer se ele não se cuidar. A culpa da morte do doente não é do médico, mas da falta de cuidado para consigo mesmo por parte do enfermo. A culpa do castigo não é da mãe, mas sim do mal comportamento do filho. A culpa das tragédias ocorridas em Israel e em Judá não é de Deus, mas culpa da infidelidade dos reis, dos falsos profetas, dos sacerdotes e do povo em geral à Aliança com Deus. Uma vez que as tragédias ocorreram, por não terem dado ouvido à voz dos profetas, recolheram as suas palavras e guardaram para a posteridade.

Para ler e rezar nessa semana, dois textos:
Mq 6,9-16: o profeta denuncia as injustiças sociais de Jerusalém. Quais eram as injustiças daquele tempo? Quais são as injustiças sociais de nosso Brasil?
Mq 7,1-7: o profeta lamenta as injustiças no meio de seu povo. Quais são as vozes que hoje procuram lamentar as mazelas que estão ocorrendo em nosso país? Qual a minha participação nisso?

Revendo sua vida à luz da Palavra de Deus: qual a nossa responsabilidade diante da situação político-econômica na qual vive nosso país?

Boa semana. Deus te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário

PARTE 4 25 de setembro

Profeta: desmascara a falsa religião.
Naquele tempo, o povo de Judá acreditava que nada de mal lhes iria acontecer, porque em sua terra ficava o Templo de Jerusalém, no qual faziam lindas liturgias e inúmeros sacrifícios de animais a Deus. Miquéias e outros profetas, denunciavam o culto litúrgico distante da prática da justiça. Para eles não adiantava nada as lindas orações sem o compromisso com a verdade, com a solidariedade aos pobres. Os reis faziam sacrifícios no templo, mas matavam o povo com pesados impostos. Os profetas do rei, usavam a religião para justificar os desmandos da corte e fazer calar a revolta do povo.
Hoje em dia algo parecido acontece. Há muitos que usam a religião como meio de angariar poder político, não em benefício do povo, mas de sua igreja ou de seus bolsos. Outros promovem um “cristianismo da prosperidade”: prometem ilusões (riqueza, vida sem sofrimento). Um cristianismo totalmente alienado do compromisso com os que sofrem. Uma fé supersticiosa que nos ilude com a falsa promessa de que quem a segue estará isento de sofrimento na vida. O profeta nos abre os olhos para perceber que crer em Deus não nos isenta da dor, porque esta muitas vezes é consequência de nossas más escolhas, das quais teremos de prestar conta.
O profeta Miquéias, nesse Ano Santo da Misericórdia, nos recorda que a verdadeira religião que agrada a Deus. Que ele nos inspire a praticar as obras de misericórdia corporais e espirituais, como caminho de santificação, não somente nesse Ano Santo, mas em toda a nossa vida.

Para ler e rezar essa semana:
Mq 6,1-8: através da palavra profética Deus estabelece o julgamento para com Judá e ensina o que de fato Lhe agrada. Estamos vivendo em nossa fé os valores de uma religião verdadeira?

Revendo nossa vida à luz da Palavra: procuramos viver nossa religião com compromisso ético de solidariedade aos irmãos, ou procuro viver a fé como “forma mágica” de proteção contra as dificuldades da vida?

Boa semana. Deus te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário



[1] SHÖKEL, LUIS ALONSO. Bíblia do Peregrino. 1ª edição. São Paulo. Paulus. 2002. 2233 p.
[2] CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Bíblia da CNBB. 2ª edição. São Paulo. Várias editoras. 1109 p. 

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