PARTE 1 04 de
setembro
O que é ser
profeta? Quem é o profeta Miquéias?
Nesse ano de
2016, Ano Santo da Misericórdia, a Igreja nos convida, no mês da Bíblia, a
aprofundar o livro do profeta Miquéias, tendo como lema: "Praticar a
justiça, amar a misericórdia e caminhar com Deus" (cf. Mq 6,8).
O profetismo
nasceu em Israel ao mesmo tempo em que o povo deixou o sistema tribal e passou
a ser monarquia, ou seja, tendo como governante um rei. Os profetas eram
pessoas que falavam em nome do Deus do Êxodo, criticando os abusos de poder dos
líderes do povo e denunciando a infidelidade à Aliança feita do povo para com
Deus. Anunciavam a Aliança com Deus, denunciavam os pecados sociais e
religiosos do povo e consolavam-no quando este caía em desgraça.
Miquéias era
de Morasti, a 35km de Jerusalém; profetizou nos tempos dos reis Acaz e Ezequias
em Judá, sendo contemporâneo do profeta Isaías. Seu trabalho profético deve ser
situado entre os anos 740 a 700 antes de Cristo. Denuncia os pecados tanto do
Reino do Norte (Israel), como do Reino do Sul (Judá).
“No
âmbito nacional, Miquéias denuncia graves injustiças, especialmente dos
governantes, apoiados por falsos profetas. Se a nossa leitura a duas vozes for
válida, ela denuncia também as falsas esperanças de solução cultual e de
salvação imediata”. [1]
Proponho textos
para ler e rezar nessa semana, além de uma pergunta para ajudar na reflexão:
Mq 2,1-5: quem
são os ladrões de hoje em dia?
Mq 2,6-13 e Mq
3,5-8: quem são os que falsamente falam em nome de Deus hoje?
Mq 3,1-4: qual
o grande pecado da classe política hoje em dia?
Revendo a sua
vida à luz da Palavra: pelo batismo você foi ungido(a) por Deus para ser
profeta (para anunciar a Palavra, denunciar as injustiças e consolar os que
sofrem). Você e sua comunidade tem sido fiéis à missão de serem profetas?
Boa semana.
Deus te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário
PARTE 2 11 de
setembro
Estrutura do
livro do profeta Miquéias.
Dentre várias
propostas de estrutura, tomamos a que se encontra na introdução da Bíblia da
CNBB[2]. O
livro pode ser dividido em quatro grandes partes intercaladas entre palavras de
ameaças e promessas de salvação.
1. Capítulos
1 a 3. São palavra de ameaças do profeta. Aqui o profeta denuncia os pecados de
Israel e de Judá, dizendo que eles provocam a ruína de Samaria e a invasão de
Judá. Denuncia também os abusos dos ricos proprietários e os pecados dos
líderes políticos e religiosos.
2. Capítulos
4 a 5. São palavras que prometem a salvação. Aqui o profeta se centra no tema
da salvação. Anuncia a restauração do monte Sião, a reunião dos filhos de
Israel, a vinda do Rei da Paz (Messias), o resto de Israel e de Jacó disperso
não será destruído.
3. Capítulos
6 a 7,7. Novas ameaças contra Judá. O profeta anuncia o julgamento de Deus para
com Judá e Israel, contra seus cultos vazios de justiça, anuncia o castigo de
Judá por causa de sua injustiça social e lamenta a triste situação infiel de
seu povo.
4. Capítulo
7,8-20. Novas promessas de salvação a Sião. O profeta proclama a certeza da
salvação a partir do reconhecimento da culpa do povo.
Para ler e
rezar nessa semana:
Mq 4,1-5. O
profeta anuncia uma palavra de esperança e restauração ao povo. Quem são os que
anunciam essa palavra hoje?
Revendo sua
vida à luz da Palavra: como você e sua comunidade tem vivido a missão de
consolar os que sofrem?
Boa semana. Deus
te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário
PARTE 3 18 de
setembro
Profeta:
portador de uma palavra de conscientização
A palavra
profeta em hebraico (nabi), significa “aquele que fala em nome de”. Os profetas
bíblicos falam em nome do Deus do Êxodo, que liberta e resgata a vida de seu
povo. Para isso, usam uma linguagem ameaçadora que provoca a mudança de vida,
tal qual uma mãe que ameaça um castigo ao filho se ele não comportar, ou um
médico que diz ao paciente que ele vai morrer se ele não se cuidar. A culpa da
morte do doente não é do médico, mas da falta de cuidado para consigo mesmo por
parte do enfermo. A culpa do castigo não é da mãe, mas sim do mal comportamento
do filho. A culpa das tragédias ocorridas em Israel e em Judá não é de Deus,
mas culpa da infidelidade dos reis, dos falsos profetas, dos sacerdotes e do
povo em geral à Aliança com Deus. Uma vez que as tragédias ocorreram, por não
terem dado ouvido à voz dos profetas, recolheram as suas palavras e guardaram
para a posteridade.
Para ler e
rezar nessa semana, dois textos:
Mq 6,9-16: o
profeta denuncia as injustiças sociais de Jerusalém. Quais eram as injustiças
daquele tempo? Quais são as injustiças sociais de nosso Brasil?
Mq 7,1-7: o
profeta lamenta as injustiças no meio de seu povo. Quais são as vozes que hoje
procuram lamentar as mazelas que estão ocorrendo em nosso país? Qual a minha
participação nisso?
Revendo sua
vida à luz da Palavra de Deus: qual a nossa responsabilidade diante da situação
político-econômica na qual vive nosso país?
Boa semana. Deus
te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário
PARTE 4 25 de
setembro
Profeta:
desmascara a falsa religião.
Naquele tempo,
o povo de Judá acreditava que nada de mal lhes iria acontecer, porque em sua
terra ficava o Templo de Jerusalém, no qual faziam lindas liturgias e inúmeros
sacrifícios de animais a Deus. Miquéias e outros profetas, denunciavam o culto
litúrgico distante da prática da justiça. Para eles não adiantava nada as
lindas orações sem o compromisso com a verdade, com a solidariedade aos pobres.
Os reis faziam sacrifícios no templo, mas matavam o povo com pesados impostos.
Os profetas do rei, usavam a religião para justificar os desmandos da corte e
fazer calar a revolta do povo.
Hoje em dia
algo parecido acontece. Há muitos que usam a religião como meio de angariar
poder político, não em benefício do povo, mas de sua igreja ou de seus bolsos.
Outros promovem um “cristianismo da prosperidade”: prometem ilusões (riqueza,
vida sem sofrimento). Um cristianismo totalmente alienado do compromisso com os
que sofrem. Uma fé supersticiosa que nos ilude com a falsa promessa de que quem
a segue estará isento de sofrimento na vida. O profeta nos abre os olhos para
perceber que crer em Deus não nos isenta da dor, porque esta muitas vezes é
consequência de nossas más escolhas, das quais teremos de prestar conta.
O profeta
Miquéias, nesse Ano Santo da Misericórdia, nos recorda que a verdadeira
religião que agrada a Deus. Que ele nos inspire a praticar as obras de
misericórdia corporais e espirituais, como caminho de santificação, não somente
nesse Ano Santo, mas em toda a nossa vida.
Para ler e
rezar essa semana:
Mq 6,1-8:
através da palavra profética Deus estabelece o julgamento para com Judá e
ensina o que de fato Lhe agrada. Estamos vivendo em nossa fé os valores de uma
religião verdadeira?
Revendo nossa
vida à luz da Palavra: procuramos viver nossa religião com compromisso ético de
solidariedade aos irmãos, ou procuro viver a fé como “forma mágica” de proteção
contra as dificuldades da vida?
Boa semana. Deus
te abençoe. Fr. Inácio José, mercedário
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