sábado, 3 de junho de 2017

homilia

HOMILIA
Queridos irmãos e irmãs, estamos reunidos nessa celebração dominical para renovar a nossa aliança com Deus, seguindo os passos de Jesus de Nazaré, Messias e Senhor. Hoje me deterei a refletir sobre a primeira leitura extraida do livro do Gn, que narra a criação do universo. O papa Francisco, na Laudato Si, tem convocado a toda a Igreja, bem como a humanidade a se voltar para os problemas ambientais, clamando a nossa atenção para o cuidado com o nosso planeta, a nossa casa comum.
A leitura de Gn 1,1-2,4 é um poema escrito pelos sacerdotes exilados na Babilônia no século VI a.C. O povo exilado corria o sério risco de perder a sua fé no Deus de Israel, dada a catástrofe do exílio que colocou em cheque as suas seguranças: a terra, o rei e o templo. Além disso, estava agora inseridos numa cultura politeísta que os obrigava ao trabalho sem descanso. Mas os sacerdotes, como verdadeiros guardiães da fé, junto aos profetas exilados, tais como o Segundo Isaías e Ezequiel, catequizam o povo, purificam a fé imatura do povo e o fazem enxergar a Deus com novos olhos.
O poema não tem a finalidade científica de descrever como Deus criou todas as coisas, mas tem a finalidade catequética de mostrar que Deus está na origem de todas as coisas. Todos os seres da natureza, sobretudo os astros, que na cultura babilônica eram divinizados, são colocados como criaturas divinas pelo autor sagrado: não são deuses, mas são obra de Deus. Deus é distinto de tudo o que é criado. Dessa forma, os sacerdotes mostram novamente a superioridade do Deus de Israel por sobre os deuses pagãos. Além disso, mostra que a natureza é boa, pois é acompanhada pela ternura e pelo cuidado divino em seu fazer. Cada criatura traz em si a marca do Criador e como diz o poeta “tudo o que move é sagrado” pois revela a presença de Deus. Em meio a nosso mundo tão corrido e competitivo, nos falta a sensibilidade de parar e contemplar a beleza da natureza e de reconhecer nela a presença de Deus. Ao contrário, no afã do enriquecimento e do progresso desmedido, muitas vezes agredimos nossa casa comum, tendo como consequencia a falta de um digno lar para aqueles que virão. Como bem exorta o papa Francisco, este é um sério pecado que afeta a vida de todos se não for evitado.  
De igual modo, o ser humano, criado como homem e mulher, recebe o mais profundo elogio divino, “muito bom”, quase como se fosse a coroa da criação. A “coroa da criação” na verdade, segundo o texto é o sábado, no qual Deus cessa seu trabalho. Os judeus exilados dessa forma reivindicam o descanso semanal, momento no qual se encontravam para rezar e fortalecer a sua identidade e aliança com Deus, durante o exílio.

Esse belíssimo poema, irmãos e irmãs, deve nos fazer refletir sobre nossa existência como um dom gratuito divino. No Segundo Testamento, no evangelho de João, Jesus afirma que “meu Pai trabalha sempre”. Se o judeus pensavam a criação como obra acabada, Jesus ensina que a obra ainda não acabou, Deus continua nos fazer, mantém a criação com seu amor gratuito, contemplando a sua bondade. Como cristãos, cremos que, em Jesus, Deus renova a sua criação. Por isso, o mesmo  lugar da ressurreição, é também um jardim, tal qual o jardim do Gn, para nos mostrar que vivendo a vida nova recebida do batismo, estaremos colaborando para a criação divina se conserve e cresça rumo à plenitude esperada até o fim dos tempos. Que a graça divina nos acompanhe em nossa missão de guardar e cultivar o mundo que Deus nos deu de presente. Amém.

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