Os principais
locais que podem ser manifestação da presença de Deus segundo a Bíblia eram:
1. A
tenda da reunião. Era o lugar sagrado reservado para a arca da aliança. Servia para
o encontro de Deus com Moisés, o único que podia se colocar face a face com
Deus, segundo a tradição eloísta. Já segundo a tradição deuteronomista, Davi
mandou reconstruir a tenda do deserto e posteriormente, Salomão coloca a arca
no Santo dos Santos, dentro do Templo de Jerusalém, centralizando ali o culto
ao Senhor. A tradição sacerdotal, por sua vez, relembra os sacrifícios que
Moisés devia fazer à entrada da tenda.
2. A
montanha do Sinai / Horeb. É a montanha onde Deus se revelou a Moisés. Para as
tradições javista e sacerdotal, esta montanha é o lugar das aparições, das
teofanias (manifestações divinas) e da aliança de Deus com o povo.
3. Os
santuários. Com o passar do tempo, a tenda da reunião deu lugar aos santuários,
que são fixos, contruídos em lugares altos, ao ar livre, num pátio com um altar
central. Destacam-se Betel, Siquem e Silo como principais santuários. A tradição deuteronomista rememora os
santuários onde as tribos se reuniam para celebrar a Páscoa e renovar a aliança
com o Senhor. Ao redor desses santuários cresceram muitas tradições religiosas
que contribuíram na redação dos escritos bíblicos.
4. Templo
de Jerusalém. Passou a ter central importância com a destruição dos templos
locais. Era o lugar do encontro entre o céu e a terra, morada do Deus
verdadeiro. Foi destruído pelos babilônios. Foi reconstruído pelos persas e
ampliado por Hedores Magno. Como todo judeu piedoso fazia, tanto a família de Jesus, quanto o próprio Jesus,
frequentavam o Templo e o consideravam sagrado. Foi totalmente destruído pelos
romanos no séc. I.
5. A
sinagoga. Centro religioso e cultural da vida judaica. Existem desde a época do
exílio na Babilônia. Trata-se da casa de oração, estudo e reunião dos judeus. A
comunidade se reunia todo sábado para adorar a Deus, rezava-se o Shemá Israel, as
dezoito benções depois se lia e comentava a Torah e os profetas. Jesus e seus
discípulos frequentavam as sinagogas. Somente após os anos 70 d.C, que acontece
o distanciamento dos cristãos das sinagogas, passando a se reunir nas casas.
6. Domus
ekklesia, igrejas domésticas. Nascem a partir dos primeiros cristãos, que se
reuniam nas casas para fazer memória de Jesus. Com a expulsão das sinagogas,
passou a ser o principal meio de reunião dos cristãos. Bastava o quórum de três
pessoas para acontecer a oração comuitária. A comunidade é presença viva do
Cristo Ressuscitado em meio ao povo.
Há outros lugares
da manifestação de Deus? Justifique.
Como o próprio estudo
nos indica, Deus não se reduz a um lugar para se manifestar. Portanto, existem
outros locais e condições nas quais Deus pode se manifestar e, ou, na qual as
pessoas podem experimentar a Deus. Falando de minha experiência pessoal, como
músico e artista, indico a arte como local da experiência divina. Um teólogo
protestante chamado Paul Tillich, escreveu uma obra chamada “Teologia da
Cultura” na qual ele trabalha a tese de que a “experiência estética é
experiência de Deus”, sendo que experiência estética é aquela experiência que o
ser humano faz diante de uma obra de arte (dança, música, teatro, cinema,
pintura etc) e na qual lhe provoca um extase, um contato com seu eu mais
profundo, no qual profundo tocado, se provoca uma mudança interna, a pessoa se
torna melhor, mais humana (conversão). Dito de forma simples, a pessoa se
transforma profundamente por causa da experiência feita. Vale lembrar, que pra
ele, uma arte profana pode fazer uma pessoa experimentar a Deus, muito mais do
que uma arte religiosa. Todos nós já devemos ter feito essa experiência alguma
vez na vida, o que seria, para o teólogo em questão, uma experiência, um
encontro com Deus.
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